24 de junho de 2008

Os Celtas



O POVO CELTA

Os celtas provavelmente se originaram na região sudoeste da Alemanha, leste do Reno, no fim do período de Bronze I (2.500 a 1.900 a.C.). Espalhou por grande parte da Europa entre os séculos VI a.C. ao século I a.C., atingindo o maior poderio do século VI a.C. ao século III a.C. Não são conhecidos documentos da literatura céltica, mas fontes irlandesas e galesas posteriores revelam muito da sociedade e do mundo de vida dos celtas. Povo fundamentalmente agrícola, com artesanato desenvolvido, em alguns lugares se dedicava à fundição de ferro e agrupava-se em pequenas povoações.

Sua unidade social, baseada no parentesco, era dividida entre uma nobreza guerreira e uma classe de agricultores. Da nobreza, recrutavam-se os sacerdotes e os Druidas, que ficavam acima de todos. A arte céltica mistura figuras humanas estilizadas com desenhos abstratos de rabescos e espirais. A influência linguística celta permanece no gaélico (Irlanda, Escócia e Ilha de Man) e no galês. A influência dos celtas declinou durante o século I a.C. devido à expansão do Império Romano e às incursões de povos germânicos.

A EXPANSÃO CELTA

A expansão celta atingiu o clímax no século III a.C. Não se sabe com certeza nem as causas nem os métodos de suas andanças. Supõe-se que partiam em levas sucessivas, cada qual numa direção em busca de terra para habitar.

O avanço dos celtas atingiu seus limites máximos no século III a.C. Após esta data, enfraquecem. Seus vizinhos contêm os celtas gálatas na Ásia Menor e, antes mesmo da intervenção romana, a monarquia de Pérgamo estabeleceu sobre eles uma espécie de protetorado. Os citas, os getas e os dácios empurraram os celtas para a atual Hungria.

No Mediterrâneo, os romanos, após a vitória de Tálamon em 225 a.C., empreenderam a conquista e depois a colonização da Gália Cisalpina; puseram fim à independência dos celtiberos, cujo último reduto, Numância, sucumbiu em 113 a.C. Finalmente, sob o comando de Júlio César, derrotaram definitivamente os gauleses transalpinos em 51 a.C., comandados por Vercingétorix. O Imperador Augusto anexou ainda a Gálácia (25 a.C.) e submeteu as tribos alpinas e do Danúbio. Os bretões que, por sua vez, se encontravam estabelecidos nas ilhas Britânicas só foram conquistados por Roma no correr do I século d.C.

Esse foi, pois, o fim dos celtas antigos que, embora tivessem tantas terras em seu poder, nunca chegaram a constituir um império com unidade política. No século I a.C. todos os seus domínios - exceto a Irlanda e a Escócia - estavam submetidos a Roma. Apesar de tudo, coube aos celtas o importante papel de difundir em diversas regiões a cultura de Hallstatt (aproximadamente 1.000 a 600 a.C.), primeira cultura metalúrgica, hábil na construção de novas e terríveis armas de ferro (espada, punhais, lanças).

Por volta de 500 a.C., mais para o ocidente se desenvolvia e difundia a cultura de La Tène, considerada, metarlurgia mais elaborada e refinada. Mas as suas armas eram muito grandes e pesadas, e os celtas não combatiam em formação militar. Isso talvez explique o fato de terem sido vencidos, com relativa facilidade, pelas legiões romanas, mais disciplinadas e portadoras de armas mais leves e manejáveis. Além disso, os soldados gauleses não usavam elmos nem armaduras, proteções conferidas unicamente aos chefes.

A ARTE CÉLTICA

A arte céltica é uma das mais ricas manifestações da chamada "arte bárbara". Os celtas desenvolveram em metal (ouro, bronze e prata), em função de três finalidades: a militar, a doméstica e a do adorno pessoal. Embora predominasse o uso do metal, não se excluíram a cerâmica, a pedra, o marfim, o osso, o vidro, o coral (depois substituído pelo esmalte) e o âmbar. Estilizaram animais e plantas, criando esculturas com motivos fantásticos. Essencialmente decorativa, sem procurar imitar nem idealizar o real, sua arte caracterizou-se por tendências geométricas e simétricas.

LÍNGUAS CÉLTICAS

Línguas Célticas, importante subdivisão das línguas indo-européias. Há dois ramos principais: o celta continental representado pelo gaulês, que se falou na Europa Central e na Ásia Menor antes da Era Cristã; e o insular que deu origem às modernas línguas célticas. Este último se dividiu em dois: gaélico (a que pertencem o irlandês, o escocês e o manquês); e o britânico (bretão, galês e
córnico).


(Desconheço a autoria)