20 de agosto de 2008

Gatos - animais místicos

Estátua representando a Deusa Bastet.
Antigo Egito

Arqueólogos encontraram ossaturas de gatos em Jericó num lugar ocupado por humanos no período Neolítico, com mais de 9000 anos. Os ancestrais do gato doméstico foram atraídos, em primeiro lugar, pelo odor dos alimentos e pelo calor do fogo aceso à noite, pelos humanos, que apreciavam a companhia destes pequenos e travessos animais que se aproximavam e brincavam com as chamas das fogueiras.

Isto se passava no Antigo Egito, onde o gato selvagem africano (felis lybica) foi domesticado ao menos a partir de 2000 anos antes de Cristo.
Estes gatos são representados com detalhes em numerosas pinturas egípcias e possuíam pelagem avermelhada, marrom ou tigrada, com longas orelhas e silhueta alongada e fina como os siameses atuais.

Transformaram-se em animais sagrados a partir de 1567 a.C., quando os antigos egípcios passaram a ver neles a encarnação da deusa Bastet.

Esta deusa solar reinava sobre a fertilidade, a cura e os prazeres da vida: a tranqüilidade, a música, a dança, a solidariedade e o amor sensual. Quando alguém quisesse algum favor da deusa Bastet, levava os melhores peixes e oferecia aos seus representantes terrestres, os gatos. Por ocasião da morte de um gato, seu corpinho era mumificado e depois enterrado em túmulos próprios.

Foram encontradas, em escavações arqueológicas, milhares destas pequenas múmias. Segundo alguns estudiosos, todos os gatos domésticos (Felis lybica domestica), tanto os de pedigree quanto os vira-latas descendem deste ramo egípcio. Os gatos de rua são gatos domésticos abandonados. Eles se instalam instintivamente perto de residências humanas, à procura de calor e alimento.

Estátua de gato para culto no Antigo Egito.


China

Do Egito, os gatos domésticos expandiram-se através de outras culturas. Na China, o gato foi considerado como animal de companhia a partir da dinastia Han, 1000 a.C. E, 500 anos antes de Cristo, os gatos chineses tornaram-se populares em todos os reinos da época.
Hoje, na China, acredita-se que quanto mais velho o gato, mais ele traz fortuna e felicidade.

O Culto Celta

Na cultura celta, a deusa Cerridwen tem um elo de ligação com o culto ao gato relativo à fecundidade através de seu filho Taliesin, que em uma de suas encarnações foi descrito como um gato com a cabeça sarapintada.

Europa

Na Europa, durante a Idade Média, os gatos caíram em desgraça assim que a Igreja acusou de feitiçaria os praticantes de ritos pagãos. E, por causa dos olhos iluminados no escuro, os gatos foram tratados como filhos do demônio. Durante os processos de bruxaria estabelecidos pela "Santa" Inquisição, centenas de milhares de gatos foram jogados dos altos dos campanários e também queimados junto com seus companheiros humanos, nas fogueiras. Isto causou uma quase extinção de sua presença em território europeu até meados do séc. XVI, a um ponto tão extremo que ele constava de inventários de conteúdos das casas, junto com os móveis!

Mas, voltando à Idade Média, acredita-se que a Peste Negra, trazida por ratos que se multiplicavam por toda a Europa neste período, tenha sido catastrófica justamente pela matança hedionda dos gatos praticada pela igreja católica. A primeira exposição pública de gatos de diversas raças, importadas principalmente do Oriente, aconteceu em Londres, em 1871, quando nasceu o National Cat Club of Britain, a primeira associação mundial de criadores de felinos.

A criação de gatos hoje é cada vez mais importante apesar do número imenso de bichanos abandonados, sobretudo nas 3 Américas. E a popularidade dos gatos contribuiu para a formação de uma forte indústria oferecendo produtos e serviços para nossos bichinhos e seus criadores. Esta indústria é tão importante que só na América do Norte ela movimenta bilhões de dólares anualmente.

(Desconheço a autoria)

Culto ao gato no Antigo Egito.