13 de dezembro de 2009

Os segredos de Stonehenge





OS SEGREDOS DE STONEHENGE
(Por Evan Hadingham)

Visto à distância, o círculo de pedras cinzentas denominado Stonehenge afigura-se pequeno na planície desolada e batida pelos
ventos de Salisbury, no sul da Inglaterra. O horizonte ermo e plano é apenas interrompido por Stonenhenge, rodeado de campos de pastagem. Mais próximo do monumento, porém, as dimensões colossais dos blocos de pedra, alguns com mais de 4 m de altura, causam uma viva impressão.

Stonehenge parece desafiar as forças do tempo e da Natureza, bem como as pretensões dos que procuram descobrir seu significado. Podem interrogar-se cem vezes estes gigantes de pedra tosca que tristemente contemplam os seus companheiros derrubados; a nossa curiosidade, porém, abate-se ante o vasto silêncio luminoso que os envolve...

MAIS ANTIGO QUE OS DRUIDAS

No século XVII, anteriormente ao advento da arqueologia como ciência, os historiadores pensavam que Stonehenge fora construído pelos druidas, os sacerdotes vestidos de branco dos celtas da Grão-Bretanha e da Gália, dos quais se tinha conhecimento através de referências da autoria de escritores romanos. Atualmente, esta idéia é ainda largamente difundida, embora não contribua minimamente para esclarecer o mistério, pois é do conhecimento geral que Stonehenge já existia, pelo menos, 1000 anos antes dos druidas.

No entanto, a teoria dos druidas não é de modo nenhum a mais rebuscada das várias explicações oferecidas por arqueólogos e historiadores para explicar a existência de Stonehenge.

O interesse por tão fantasiosas idéias foi ainda intensamente estimulado após a descoberta nas proximidades de várias sepulturas pré-históricas contendo punhais de bronze e ornamentos de uso pessoal de folha de ouro, osso, âmbar, cerâmica e pedra polida.

A mais famosa descoberta deste tipo foi relatada em 1808 pelo conhecido arqueólogo inglês Sir Richard Colt Hoare, que organizou a escavação de um monte funerário pré-histórico muito próximo de Stonehenge. Deparou-se-lhe o esqueleto de um homem alto e vem constituído, junto do qual se encontravam um machado, vários punhais e objetos de cerimonial, incluindo uma clava com a parte superior de pedra polida e engastes de osso trabalhado. Havia ainda um gancho para bainha de espada de ouro, delicadamente lavrados com uma profusão de linhas e que provavelmente estariam presos ao vestuário do morto.

A magnificência destes túmulos dourado, aliada ao caráter único da arquitetura de Stonehenge, sugeriu a Sir Richard e aos seus contemporâneos a concepção de que os bretões antigos teriam certamente importado ad técnicas que utilizavam. Alguns arqueólogos atribuíram a grande riqueza destes túmulos a um pequeno invasor de guerreiros da idade do bronze que se teria fixado em Stonehenge e orientado a população nativa menos qualificada na construção do monumento. Um dos lugares de origem propostos para estes invasores foi Micenas, a grande cidadela homérica, no continente grego. Alguns dos objetos preciosos, nomeadamente as contas de cerâmica e os discos de âmbar ligados como ouro, indicavam relações comerciais com a região do mar Egeu e remotamente com e Egito

Outro local de origem atribuído a estes invasores da idade do bronze seria a Bretanha, região famosa pelos espetaculares monumentos de menires - grandes pedras fixadas na posição vertical-, como os que existem em Carnac, onde milhares de enormes blocos se encontram dispostos em filas paralelas.

Também nesta zona se concentra o maior número de túmulos individuais de guerreiros ostentando riquezas notáveis, se bem que não existam provas de que foi este povo da idade do bronze o construtor das pedras de Carnac. Não há dúvida, porém, de que o tipo de objetos descobertos nos montes funerários da Bretanha, especialmente os punhais de bronze, apresentam semelhança flagrantes com os da região de Stonehenge.

RELAÇÕES COMERCIAIS COM O MEDITERRÂNEO?

A determinação de uma nova data para Stonehenge (cerca de 2.750 ac) obtida pelo processo do carbono-14 causou grande surpresa no meio arqueológico. O plano Stonehenge não poderia incontestavelmente ter-se inspirado na arquitetura da zona do mar Egeu, pois pertencia a uma época anterior; cerca de quatro ou cinco séculos - ao período micênico. Do mesmo modo, as datas de dois dos túmulos dourados eram muito mais tardias do que se presumia, e assim alguns objetos exóticos – os discos de âmbar e as contas de cerâmica - poderiam na realidade ter sido adquiridos ou importado do Mediterrâneo. Admite-se ainda a possibilidade de que, pelo mentos durante parte do período de prosperidade e poder da região de Stonehenge depois de cerca de 1.900 ªc , ali se tivessem fixado guerreiros bretões, que constituiriam o núcleo de uma aristocracia que governou pelo menos durante 600 anos.

IMPORTANTES LOCAIS DE REUNIÃO

De um modo geral, os círculos de pedra em torno de sepulturas são mais freqüentes no Norte que no Sul da Grã-Bretanha; estes monumentos assinalam provavelmente os túmulos de chefes ou grandes guerreiros importantes.

Na última década, o interesse do grande público foi despertado por determinadas teorias que apresentavam Stonehenge como um complicado observatório astronômico, talvez mesmo uma espécie de computador pré-histórico.

A estrutura de Stonehenge parece ainda incluir alinhamentos relativos ao nascer e ao ocaso da Lua. A curiosidade ciêntifica ou objetivos religiosos, ou provavelmente ambos, poderiam explicar o estudo sistemático dos movimentos da Lua levados a efeito em Stonehenge. O interesse dos construtores pela Lua pede perfeitamente ter sido despertado quando chegaram a conclusão de que a Lua não segue os movimentos anuais do sol.

Na realidade, além do seu próprio esquema mensal relativo ao nascer e ao ocaso, a Lua segue um outro ciclo que dura 18,61 anos. Próxmo da entrada do monumento, cerca de 40 pequenas covas para a fixação de postes, agrupados em seis filas, coincidem de modo notável com a posição mais setentrional da Lua durante este ciclo. Dado que as filas são em número de seis, é possível que estes postes correspondam a seis ciclos lunares, ou seja a mais de um século de meticulosa observação dos movimentos da Lua.

A explicação definitiva está, porém, longe de ser alcançada, pois o monumento conserva um halo misterioso que tem resistido, durante séculos, a pesquisas e suposições. Se Stonehenge foi muito provavelmente um observatório e um templo, pode também ter servido outros objetivos que continuam a pertencer ao reino do desconhecido.

(Texto de Evan Hadingham)