23 de janeiro de 2011

A Deusa Freya



Na mitologia nórdica, Freya é a Deusa-Mãe da dinastia Vanir, raça oposta a dos primitivos Aesir, dos quais Odin era o líder.

Deusa do sexo e da sensualidade, da fertilidade, do amor e da atração, da luxúria, da música e das flores, da magia, bruxaria, adivinhação e encantamento (especialmente amoroso), da riqueza e das guerras, além de líder das Valquírias (condutoras das almas dos mortos em combate).

Infelizmente, poucas de suas histórias sobreviveram, talvez porque suas lendas foram registradas por eruditos influenciados pelo cristianismo, e muito provavelmente, ferozes contra qualquer registro sobre Freya, a deusa da adivinhação e da independência sexual.

Era irmã de Freyr (deus da fertilidade) e filha de Njord (deus do mar) e Skadi (deusa do inverno e da caça).

Uma deusa-Vana, ela foi por algum tempo casada com o misterioso deus Od, ou Odr, o qual desapareceu e foi sempre procurado por Freya, no céu e na terra, enquanto derramava lágrimas, que se transformavam em ouro na terra e âmbar no mar. Tais lágrimas lhe renderam o atributo de deusa da riqueza e sua constante busca, os títulos relacionados ao amor.

Com exceção desta vaga menção a um marido, Freya nunca esteve associada a outro deus no papel de "esposa". De caráter arrebatador, teve vários deuses como amantes (o que lhe rendeu a qualificação de deusa do sexo, da sensualidade, da luxuria e da atração), e é representada como uma mulher atraente e voluptuosa, muitas vezes com olhos azuis.

Possuía muitos gatos, os quais puxavam sua carruagem em batalha, e a tornaram a senhora dos gatos, o mesmo título atribuído à egípcia Bast e à grega Ártemis.

Mulheres sábias, videntes, senhoras das runas e curandeiras estavam intimamente conectadas a Freya, pois ela era a deusa da magia, bruxaria e dos assuntos amorosos.

Há quem diga que a Deusa possuía o segredo das runas mesmo antes de Odin e, graças à sua ligação com a magia, é conhecida como a deusa da magia, bruxaria e encantamento.

A magia de Freya era xamanística por natureza, como indica seu vestido ou capa de pele de falcão, que permitia que se transformasse em um pássaro, viajasse para qualquer dos mundos e retornasse com profecias. Aliás, várias vezes Loki emprestou tal pele de falcão, geralmente para espionar pessoas e criar problemas.

Entre os povos nórdicos, tal habilidade de efetuar viagens astrais, hoje tida pelos xamãs como necessária para previsão do futuro e obtenção de sabedoria, era conhecida por seidr.

Seidr era uma forma mística de magia, transe e adivinhação primariamente feminina, e, em sua maior parte, envolvia a prática de transmutação, viagem do corpo astral através dos Nove Mundos, magia sexual, cura, maldição e outras técnicas. Suas praticantes, chamadas de volvas ou às vezes seidkona, eram sacerdotisas de Freya.

Ressalta-se que na mitologia há indicações que o seidr foi também praticado por homens vestidos com roupas de mulher. No entanto, esta não era uma atividade masculina popular e aqueles que a praticavam eram ridicularizados ou até mesmo assassinados. Vestir-se com as roupas do sexo oposto é uma tradição realmente antiga que tem suas raízes na crença de que um homem deve espiritualmente transformar-se em uma mulher para servir à deusa. Isso não poderia ser bem recebido numa sociedade patriarcal. Odin, iniciado pela própria Freya, é a única deidade masculina listada nos mitos a ter praticado este tipo de magia exclusivamente vestido como homem.

As volvas moviam-se livremente de um clã para outro, suas habilidades eram constantemente exigidas. Elas não costumavam se casar, apesar de possuírem amantes. Portavam cajados com uma ponteira de bronze e usavam capas, capuzes e luvas de pele de animais.

Apesar de Freya não ser uma deusa lunar, muitos de seus aspectos a ligam às Luas Cheia e Nova. Aspectos estes, frisa-se, relacionados ao seu colar mágico que portava, Brinsigamen, equivalente ao machado de Thor.

A história de como obteve este colar é uma lição de como usar os Quatro Elementos, conhecimento hoje tido como essencial para a prática do xamanismo.

Certa vez, quando Freya passeava, se deparou com quatro gnomos que fabricavam o mais belo colar por ela já visto. Esses artesãos, conhecidos como Brisings, chamavam-se Alfrigg, Dvalin, Berling e Grerr. Freya decidiu que o colar deveria ser seu, mas os gnomos não o venderiam, apenas a presenteariam, se ela passasse uma noite com cada um deles. Sem hesitar, Freya concordou e tornou-se a proprietária de Brisingamen, um poderoso equilíbrio da Serpente Midgard e um símbolo de fertilidade. Tais atributos correspondem à Lua Cheia.

Uma vez que os monges cristãos julgaram esta história amoral, é de se admirar que tenha sobrevivido nos mitos nórdicos. Mas não é puramente uma história sobre sexo, mas sim sobre obter conhecimento (algo considerado tão maligno quanto o sexo pelos monges).

Os quatro gnomos representam os Quatro Elementos. Brisingamen simboliza a beleza, o poder e a riqueza que advêm do saber como utilizar e equilibrar esses tijolos de matéria.

A inveja e a cobiça de Odin por tal jóia e pelo meio através do qual Freya a obteve, o levou a ordenar a Loki que roubasse o colar. Para recuperá-lo, Freya deveria concordar com uma obscura ordem de Odin: incitar a guerra entre reis e grandes exércitos e, depois, reencarnar metade dos guerreiros mortos em batalha, para que lutassem novamente. A outra metade, junto com todas as mulheres, era transportada para seu castelo Sessrumnir. Este aspecto da deusa, a conecta à Lua Nova e caracteriza como líder das Valquírias e senhora das guerras.

O seu nome tem várias representações (Freia, Freja, Freyja, Froya, etc.) sendo também, por vezes, confundida com a Deusa Frigga.

Freya é, ainda, a senhora das sextas-feiras, de onde se tira a tradição usada por suas filhas, sacerdotisas e seguidoras de fazer encantamentos, essencialmente os amorosos, neste dia.


(Desconheço a autoria)