17 de abril de 2011

A Era Viking



Conforme as fontes literárias para a Era Viking – Eddas e Sagas – os vikings não eram particularmente religiosos, eram muito mais pragmáticos e realistas. No paganismo nórdico não havia fanatismo, mas em suas práticas haviam rituais e culto aos ancestrais. A magia se caracterizava por uma religiosidade xamâninca baseada no contato com os mundos sobrenaturais, para a obtenção de conhecimento.

"Cronologicamente, os nórdicos que recebem essa alcunha viveram entre 793 a 1066 d.C, a divisão clássica da Era Viking. Os escandinavos pertencem aos chamados povos germânicos, uma classificação que leva em conta a linguagem e certos aspectos culturais básicos, como a mitologia. E os germanos fazem parte de uma grande leva migratória denominada de Indo-europeus (do qual fazem parte também os celtas, eslavos e gregos)." Prof° Dr. Johnni Langer.

"A Era Viking é o nome da última parte do início da Idade do Ferro na Escandinávia. Hoje, de um modo um tanto controverso, a palavra viking também é usada como um adjetivo genérico que se refere aos escandinavos da era viking. A população escandinava medieval é referida de um modo mais apropriado como nórdicos.

Os vikings, por vezes usa-se a forma aportuguesada viquingues, eram guerreiros-marinheiros da Escandinávia que entre o final do século VIII e o século XI invadiram e colonizaram as costas da Escandinávia, Europa e Ilhas Britânicas. Embora sejam conhecidos principalmente como um povo de terror e destruição, eles também fundaram povoados e fizeram a expansão do comércio pacificamente.


VikingsOs vikings conquistaram a maior parte da Irlanda e grande parte da Inglaterra, viajaram pelos rios da França e Espanha, e ganharam controle de áreas na Rússia e na costa do Mar Báltico. Houve também invasões no Mediterrâneo e no leste do Mar Cáspio. A principal razão que se crê estar por trás das invasões foi a superpopulação causada pelo avanço tecnológico do uso do ferro.



Para o povo que vivia na costa, foi natural a procura por novas terras pelo oceano. Outra razão foi que, nesse período, vários países europeus encontravam-se envolvidos em conflitos internos, sendo portanto presas fáceis para a organização viking. O amor à aventura e o sucesso militar, característico de uma cultura que valorizava os feitos heróicos das sagas, deve ter sido outro fator.

Seus navios dragão (drakar) permitiam que os vikings navegassem longas distâncias, além de trazer vantagens tácticas em batalhas. Eles podiam realizar eficientes manobras de ataque e fuga, nas quais atacavam rápida e inesperadamente, desaparecendo antes que uma contra-ofensiva pudesse ser lançada. Os navios dragão podiam também navegar em águas rasas, permitindo que os vikings entrassem em terra através de rios.

Muitos dizem que os vikings usavam elmos com chifres pois receavam, pelas suas crenças, de que o céu lhes pudesse vir a cair nas cabeças. Apesar desta conhecida imagem a respeito deles - que na realidade era uma crença Celta, uma analogia à Cernunnos e não nórdica - eles jamais utilizaram tais elmos.

Essas características não passam de uma invenção artística das óperas do século XIX, que reforçavam as nacionalidades, no romantismo, e que visavam a resgatar a imagem dos vikings como bárbaros cruéis (o que nunca foram), pois sua aparência era incerta.

Os capacetes que os vikings verdadeiramente utilizavam eram cônicos e sem chifres. Não existe qualquer tipo de evidência científica paleográfica, histórica, arqueológica e epigráfica de que os escandinavos da Era Viking tenham utilizado capacetes córneos. Até mesmo as asas no capacete do personagem de quadrinhos Asterix são fantasiosas e não conferem com a realidade." 

Os vikings eram regidos por ideais militares de força e coragem, inspirados em Thor e Odin.
"Sabemos que campainhas de guerreiros vivendo sob disciplina rígida realmente existiram no fim da Era Viking. A literatura preservou as memórias dos vikings, como um bando de homens levando vida de solteiros em uma comunidade guerreira, com regras rígidas de obediência. Algumas regras foram registradas, para nossa informação: nenhum homem poderia entrar para essas campainhas se tivesse mais de cinqüenta anos ou menos de 18 e nem poderiam ter uma mulher no alojamento." Hilda R. Ellis Davidson - Deuses e Mitos do Norte da Europa.

A Magia das Runas  

A magia rúnica servia como uma escrita secreta para a comunicação em ações militares e nos procedimentos mágicos, que iam desde a proteção aos encantamentos em geral. A arte divinatória era utilizada pelos vikings, mas desconhecem-se os métodos exatos para consultá-las. Os métodos de runas invertidas e a runa branca, são invenções contemporâneas derivadas do tarot medieval, não havendo vínculos com a cultura original da Era Viking.

"Somente com o advento da Era Viking, as runas foram empregadas para textos longos, geralmente talhadas em suportes pétreos (estelas, monumentos funerários feitos em blocos de pedra), madeira, ossos e couro. A partir da forma padrão do rúnico germânico (futhark antigo, com 24 sinais alfabéticos), os Vikings inventaram duas variações: as de rama longa (futhark dinamarquês) e o rama curta (futhark sueco), ambos de 16 sinais.

O significado da palavra (rúnar): saber secreto, segredos. Em muitos rituais, as runas eram gravadas enquanto eram recitadas fórmulas mágicas (galdr) e eram pintadas com o sangue de animais sacrificados (blóts). Segundo a mitologia nórdica, Odin teria descoberto as runas, durante seu auto-sacrifício na árvore Yggdrasill.

Como Odin também está associado à poesia e a magia, as runas acabaram tendo uma relação estreita com esses dois. As runas para adivinhação, geralmente, eram gravadas em pedaços de madeira (desde os tempos de Tácito), ossos e pedaços de pedra." (Fonte: Prof° Dr. Johnni Langer).


Deus Odin

"Eu Sou o Filho da Terra
E do Céu estrelado,
Mas a minha origem é só o Céu."
(A Tábua em Cova Órfica) 

O Grande Deus da guerra e dos mortos, Odin, é considerado o pai das runas sagradas que, através da prática do xamanismo, entrava em transe e supostamente viajava em espírito à terra dos mortos, para visitar os Deuses e obter conhecimento.

Odin aparece dependurado na árvore do mundo, a Yggdrasill, perfurado por uma espada, descrito no poema de Hámával. Sacrifício voluntário feito para aquisição de conhecimentos secretos e oculto, pois ao ser capaz de olhar para baixo da árvore da vida e levantar as runas, soube decifrar toda a sua magia. 
Que assim seja!

Fonte: 
Rowena Arnehoy Seneween ®  
Fonte bibliográfica:


Hilda R. Ellis Davidson - Deuses e Mitos do Norte da Europa