18 de janeiro de 2016

Panteão Hindu



Estudo da Mitologia - Panteão Hindu

Principal religião da Índia, o Hinduísmo é um tipo de união de crenças com estilos de vida. Sua cultura religiosa é a união de tradições étnicas. Atualmente é a terceira maior religião do mundo em número de seguidores. Tem origem em aproximadamente 3000 a.C na antiga cultura Védica.

O Hinduísmo da forma que o conhecemos hoje é a união de diferentes manifestações culturais e religiosas. Além da Índia, tem um grande número de seguidores em países como, por exemplo, Nepal, Bangladesh, Paquistão, Sri Lanka e Indonésia.

Aqueles que seguem o Hinduísmo devem respeitar as coisas antigas e a tradição; acreditar nos livros sagrados; acreditar nos Deuses; persistir no sistema das castas (determina o status de cada pessoa na sociedade); ter conhecimento da importância dos ritos; confiar nos guias espirituais e, ainda, acreditar na existência de encarnações anteriores.

O nascimento de uma pessoa dentro de uma casta é resultado do karma produzido em vidas passadas. Somente os brâmanes, pertencentes às castas "superiores" podem realizar os rituais religiosos hindus e assumir posições de autoridade dentro dos templos.

Principais Deuses do Hinduísmo:

Brahma (representa a força criadora do Universo); 
Ganesha (deus da sabedoria e sorte); 
Matsya (aquele que salvou a espécie humana da destruição); 
Saraswati (deusa das artes e da música); 
Shiva (deus supremo, criador da Ioga), 
Vishnu (responsável pela manutenção do Universo).

Em detalhes:


BRAHMA
O criador do universo. Representado com 4 rostos, cada um virado para um ponto cardeal, como que para contemplar toda sua obra. Diz-se que, de cada uma das cabeças saiu um dos 4 Vedas, livros sagrados indianos contendo a sabedoria universal. Junto com Vishnu e Shiva, representa a trindade dos deuses hindús. Costuma ser representado deitado sobre uma flor-de-lótus que, na Índia, simboliza a expansão espiritual, por ter brotado após a passagem do Buda em sua peregrinação.


SARASWATI
É a forma feminina do criador Brahma, sendo sua esposa. Saraswati representada como todo o conhecimento e a inteligência. Aparece sentada numa flor-de-lótus, símbolo da transmutação, vestida com um sari branco (que representa a pureza) e trazendo um rosário de contas na mão (lembrando assim a importância da oração). Também é a Deusa da música e sempre tem uma Veena (instrumento musical) à mão. Aperfeiçoa o intelecto e a criatividade. Todos os lares que tem Saraswati podem contar com a influência da cultura, arte, música, inteligência e criatividade.


VISHNU
O preservador do mundo, não só da Terra. Não é criador como Brahma, mas mantém as formas, coisas, objetos, idéias, pensamentos coesos, faz com que tudo tenha sentido. É o senhor do "Dharma" (das leis naturais), responsável pela órbita dos planetas, pela posição do sol, pela lei da gravidade, pelo refluxo das marés. Geralmente representado com um disco solar chamado "Chakra" sobre a cabeça. É o deus da unidade, coesão.

Vishnu é a divindade conservadora. Aparece em 10 encarnações ou Avatares que mostram a ajuda do Deus aos homens durante a evolução do mundo; e para que se tornassem melhores trilhando o caminho da virtude. 

1°- MATSYA - como peixe 
2°- KURMA - como tartaruga 
3°- VARAHA - como javali 
4°- NARASHIMA - meio homem, meio leão 
5°- VAMANA - o anão 
6°- PARASURANA - o homem zangado 
7°- RAMA - o homem perfeito 
8°- KRISHNA - divino governante e legislador 
9°- BUDA - o homem da compaixão 
10°- SHIVA - o destruidor 

Ele é azul para simbolizar o infinito. Leva um disco na mão mostrando que mantém o Dharma, a retidão, a justiça e honradez, e a ordem do Universo. A concha (caramujo) simboliza a remoção da ignorância e a música do Cosmos. O gada ou Massa é para combater os demônios, internos e externos. O Lótus representa a beleza do Universo e a pureza e ainda a transformação. O veículo de Vishnu é Garuda, o homem Águia, uma figura de grande força, poder e piedade.


LAKSHIMI
É a parte feminina de Vishnu, o Conservador. A graça do Deus está personificada em Lakshmi, que é eterna e onipresente. Na Índia, quando alguém enriquece, se diz que Lakshmi foi visitá-lo, pois ela concede prosperidade e fartura aos homens. Lakshmi atua, também, na beleza e no amor. É a Deusa da fertilidade. Em uma das mãos posicionada o Mudra Abhaya diz: "Não tenhas medo". Nos protege. A outra mão posicionada no Mudra Varada (com os dedos para baixo) nos concede graça e a prosperidade. Segura uma flor de Lótus e senta-se nela, enfatizando a importância da vida pura sem a qual a prosperidade e a graça são como uma concha vazia. A Flor de Lótus simboliza também a transcendência do espírito sobre a matéria. O Elo que une a Terra ao Cosmos. Tê-la em casa com amor e devoção, não faltará prosperidade e fartura.


SHIVA
Opondo-se a Vishnu, Shiva tem aparentemente uma conotação negativa como o deus da destruição. Mas se pensarmos que a destruição sempre traz renovação, Shiva aparece como uma figura grata. Responsável pela morte do ego humano, é Shiva quem encaminha a humanidade para a luz por meio da aniquilação de suas ilusões.

Ambíguo, dual, ora é representado como asceta, meditando no monte Kailasa, ora com uma metade feminina, que seria Parvati. Sua imagem mais famosa é na forma de Nataraja, o deus dançarino, rodeado por um círculo em chamas, ou seja, o universo, que ele mantém em perpétuo movimento.

Shiva é o deus da impermanência das coisas, e o mais cultuado de toda Índia. E como renovação também significa vida, paradoxalmente, o deus da destruição é também o deus da fertilidade.

Shiva é frequentemente representado como Nataraja "Rei dos Dançarinos" que com sua dança, desperta a energia cósmica. Ele dança sobre o demônio Pasmara Purusha que representa nosso Ego inflamado. E somente destruindo nosso Ego chegaremos à iluminação. Pode ser representado com dois, seis ou oito braços dependendo dos símbolos de poder que tenha nas mãos. 
Em uma das mãos segura Rena, que representa a mente instável do homem, e que deve ser mantida sob controle para evitar o sofrimento. 
Na outra mão segura uma Damaru (tambor), que simboliza a atividade criativa e o ritmo do Universo. 
Na terceira mão segura o Fogo, símbolo da destruição. 
Na quarta mão a posição dos dedos na Abhaya Mudra diz "Não temas, pois eu te protejo, mesmo quando destruo". 
O Círculo de Fogo representa o contínuo movimento do Universo através dos desígnios do criador. 
O Rio Sagrado dos Ganges é representado pelas ondulações atrás da cabeça de Shiva, significando a eternidade e a pureza. 
A Lua Crescente em sua cabeça nos lembra o movimento e a passagem do tempo. 
A Serpente é o símbolo da energia cósmica. 
O terceiro olho nos adverte que o Deus tudo vê e conhece. 
O Veículo de Shiva é o boi ou Nandi, por isso é considerado sagrado. 
Na orelha direita, usa a Kundala, na esquerda usa a Tatanka, para mostrar que ele é meio homem e meio mulher, simbolizando a união ideal. 
As Rugas falam da transitoriedade de nosso corpo. 
A Pele de Tigre sobre a qual está sentado é o símbolo da arrogância e do orgulho que devem ser suprimidos. Shiva é a própria montanha, o próprio Himalaya.


GANESHA
Corpo de homem e cabeça de elefante, sábio, ponderado, ajuda as pessoas a superarem suas dificuldades. É um dos mais cultuados e queridos deuses da Índia. Fonte de inspiração para os escritores, é o autor do poema épico "Mahabharata", que relata a formação e a história do mundo e da Índia. Cedo, perdeu sua cabeça humana ao enfrentar Shiva, companheiro de sua mãe Parvati. Para compensar, Shiva colocou no corpo do rapaz a cabeça da primeira criatura que encontrou: um elefante.

Ganesha, a divindade, filho de Shiva e Parvati, é a primeira divindade a ser invocada em qualquer ritual. É considerado o grande removedor de obstáculos, tanto materiais como espirituais, e protetor dos negócios. 
Sua cabeça representa a inteligência, e a cobra em volta do seu pescoço, a energia cósmica. 
Seu veículo é um rato, que simboliza a igualdade do maior e do menor perante os olhos do Deus. Ganesha está relacionado a qualidades como prudência, diplomacia, sagacidade e firmeza. É o Deus mais venerado na Índia e se encontra em todos os lares. É colocado na entrada da casa para que deixe passar somente energias positivas expulsando as energias negativas. Está sempre acompanhado pela deusa Lakshimi.


KARTTIKEYA
"Filho das Plêiades", também conhecido entre outros nomes como Skandha "jato de esperma", por ter nascido do esperma de Shiva, que foi lançado ao mundo, sem controle, por um descuido do deus ao ser interrompido em sua cópula com Parvati, e que depois de uma série de peripécias, caiu no rio Ganges. Filho exclusivo, portanto, de Shiva. Karttikeya é o antipático "Senhor dos Exércitos", de olhos ferozes e arregalados, lembrado principalmente nas situações de guerra e, talvez por isso, um deus não tão popular quanto seu irmão. Tem por montaria um galo.


KRISHNA
A oitava reencarnação de Vishnu. Em sua forma humana aparece como um dos heróis do poema épico "Mahabharata", onde auxilia seu pupilo Arjuna em várias batalhas. Astuto, ardiloso, dá lições aos homens que pecam pelo orgulho e ambição. Sabe aproveitar os prazeres terrenos, pois tem fama de sedutor. Seus ensinamentos são paradoxais, como os dos grandes sábios, e só após muito (ou nada) refletir, podemos aprender com ele.

Krishna é o mais célebre dos Avatares (deuses com formas humanas fiéis). Seu nome significa "Escuro", graças à sua pele em tom azulado. É representado como um jovem formoso, de corpo forte e cabelos anelados. Além disso, é a divindade que conta com o maior número de adeptos na Índia. Vários livros sagrados falam sobre Krishna, mas o principal é o Bhagavad Gita. É a divindade do amor, como ele próprio se definiu: "Eu sou o amor puro dos amantes, que lei nenhuma pode proibir". Tendo Krishna com você, pode-se lutar contra todos os demônios internos e externos. Ele tem força, poder e piedade.


PARVATI
Esposa e companheira de Shiva, é também simbolizada como a manifestação feminina do deus da destruição. Parvati, "A da Montanha" é a Senhora das cavernas, das reentrâncias, das anfractuosidades, dos locais de mistério, a vulva, o útero. É também a Senhora dos animais. Para ela realizam-se rituais onde se oferece leite.


KALI
É a divindade que atua na eliminação do Ego, mostrando que tudo é temporal. É a forma irada de Durga, e aparece sempre carregando vários crânios nas mãos, para lembrar aos homens a mortalidade dos mesmos. Assim, Kali nos adverte de que o tempo é imutável e Todo-Poderoso. É uma guerreira do sexo feminino, uma característica que nenhuma outra deidade pode expressar. É muito venerada pelos hindus, especialmente nos estados do leste. Seus seguidores sempre podem contar com a sua presença para lutar contra todos os seus inimigos e aqueles que vos querem mal.


RAMA
8ª Reencarnação de Vishnu, Marido de Sita. O herói mais importante da mitologia hindu é o príncipe Rama. A história da busca de sua esposa Sita, que foi raptada pelo demônio Ravana. Rama tinha uma metade da divindade de Vishnu.


HANUMAN
Deus hindu do aprendizado, Hanuman, também conhecido como Maruti, era filho de Vayu, deus dos ventos, do ar, da respiração e um dos deuses principais dos planetas superiores. Talvez por isso, ele tenha ficado famoso tanto pela velocidade quanto pela habilidade de voar. Hanuman possuía vários poderes místicos, tais como se tornar gigantesco ou minúsculo e voar como o vento. Metade humano, metade macaco, Hanuman liderava um exército de macacos. Era companheiro e auxiliar leal de Rama, uma encarnação do grande deus Vishnu (o sustentador do universo), e o apoiou fielmente na batalha contra o demônio Ravana.

Simbolicamente, o macaco é a ciência superior, a lógica superior, que possibilita "medir o mundo", medir a Grande Obra, e saber o quanto se gastará para se realizar o Trabalho Alquímico.

Às Vezes ele pode ser visto abrindo o próprio peito para mostrar que Sita e Rama realmente residem em seu coração. Ele pode ser visto também carregando uma enorme montanha na qual existiam as ervas necessárias para salvar Lakshmana, o irmão do rei Rama, que tinha sido ferido em combate. As lendas dizem que Hanuman é o deus da casta dos Kshatryas (guerreiros e admiradores). Representa muita força e coragem nas batalhas da vida.